quarta-feira, 13 de novembro de 2013

ao Poeta que sofre

nada pode ser mais importante
do que a dor de um poeta

a dor de um poeta
nasce velha e nas dores do mundo
deste mundo mínimo
excepcional e invisível aos olhos

o mundo que só tem o olhar do poeta para mostrá-lo
o mundo que só tem as mãos do poeta para confortá-lo
e só tem o amor do poeta para amar suas vidas mínimas:

a folha que cai

a pena que voa
a formiga que se perde
o peixinho que se afoga
a palavra que não se diz
o poema que não pode

incorporo a dor do poeta
deito meus olhos sobre a dor do poeta amado
acolho com minhas mãos sua crença cansada
beijo com meus lábios seu luto sem promessa
e amo-o com toda a dor
dessa minha vida mínima


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