terça-feira, 27 de agosto de 2013

versor

me sirva
então
de tua névoa

esta que devora
agora
o campo divisor do desejo

me serve
então
teu beijo gelado

numa bandeja de jazz
agora 
teu toque latejante
numa taça tingida de blues


janta comigo tua carne minha
brancura gêmea
porosa de nêspera
geme a cerração
que anoitece teu olho irmão
incestuoso leão
encantador siamês
de serpentes de aço
sobre trilhos de trigo

irmão de cor
decora-me como de
coro a ti
toda noite

sorve meu verso

atravessa-o
com tua espada
       transversal

sinta meu avesso
quente


admira-te
admita-me

ouça
o pulso
que pulsa
no teu

primeiro impulso
pleno da manhã


.

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