domingo, 18 de agosto de 2013

tempo dos cinzas

a pressa
das flores floreadas
               multicores
               exageradas
               explícitas

neste dia cinza

me parece tão obscena

deito-me esquecida e aquecida no calmo remanso
de um verde paleozoico alongado de musgos e plantas folhosas
entre retorcidos de raízes crescentes num para cima infinito de unhas e cascos
abandono-me aos esporos dispersados pelo vento na botânica hepática de talosas

meu coração palpita

sinto-me nua no tempo das virgens que não se sabem virgens
e me demoro no sem fim de um orgasmo pteridológico de lenta exuberância invisível
e natural


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