sexta-feira, 9 de agosto de 2013

má aluna

o professor de história
afogava-se
naquele mar infinito de tanta matéria:

desesperada ondulação
coxas roliças abrindo e
fechando as comportas
madeira vazada
     de carteira ginasial

peixinhos amarelos

na calcinha de algodão
tentavam escapar
pelos elásticos
nas margens

o professor sonhava
olhos em verdes viagens
conquistas marítimas
levantar velas
        navios ao mar
              invasão de terras
                       mata ainda rala a explorar
e fincar raízes

impor a língua

bruta
                       colonização
Eu-ropa
       inexplorada
entre-vista no vaivém
                    das pregas
saia encolhida
no uniforme colegial

desligada
     displicente
           distraída
                   e disléxica
nem sabia que era vista
nem sabia do professor


duas mangas ainda verdes
espremidas espremiam
as bordas da mesa

cabeça baixa
cabelos loiros suicidas
                      atirados
como dunas de areia
          no deserto da carteira

a má aluna
boiava na matéria
e rabiscava ecos
som propagado no vento
premonição da chegada
palavras sem sentido

estranho alfabeto
              ru(í)na
              enigma


V i k i n G


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