quinta-feira, 8 de agosto de 2013

de dedos e deslizes



se soubesse escrever poesia
faria um poema todo dedos
e não teclas
isso que é o pu-lu-lar duro
de pontas afiadas de unhas
faria poesia suave de deslizes
de dedos livres e dança doce
azulecendo leve de nuvens
e escreveria meu nome geruza
duas voltas inteiras rodeadas
no seu pescoço colar de letras
azuis azuis
depois nas costas comporia
um verso irmão gêmeo meu
seria tu só te moves em mim
desde cima até o baixo azul
marinho
toda a pele tatuada na tinta
nenhum espaço pro silêncio
nas coxas poesia da pressa
ecoando nas canelas: venha
tremendo todo o pé: venha
no peito um poema de amor
de palavra coração euteamo
de sonoridade portuguesa
depois na boca ah um beijo
porque não sobra espaço
pra outra língua: só a minha
e aí o teu sexo que é poema
duro no seu em-si e afã
de procura e de asas abertas
eu comporia versos-reversos
de palmas: linhas cruzadas
indo e vindo vindo e indo e
puro artesanato q’antecede
a poesia oral
performance expressiva
lirismo idílico som saliva
depois paro
teus braços e as mãos
perturbam meu recital
levanta-me pela cintura
e me mete de uma só vez
bem em cima do soneto
diz que poesia boa é boa
quando se escreve sentada
eu sento que gosto
desta posição pra escrever
me manda repetir o verso:
tu só te moves em mim
tu só te moves em mim
tu só te moves em mim
colar de infinitas voltas
eu obedeço, sou poeta
e escrevo poesia suave 
de dedos deslizes livres 
e dança doce azulecendo 
de nuvens e nomes geruza
geruza geruza voltas inteiras
colar de letras azuis azuis
azuis





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