quinta-feira, 1 de agosto de 2013

cores

ali no detrás da janela
há um cinza soturno crescendo
bem no centro
                   do meu jardim

cinza duro no tom com que fala
daninhando feio entre meus lírios azuis
encapando meus rubros girassóis
e pisoteando o amarelo dos cantos
da boca
dos olhos

preocupa-me
suas raízes fundas

não quero tocar:
                meu esmalte é vermelho
e arde nas cordas quentes do violão
nem chafurdar terra e lama
que estou pra céu e mar em rosa de noel

cinza cinza cinza o resto tudo é cor
acordeão alegre espremido no abraço

ligo a tomada no 220 e aponto a hélice
direto no coração do canteiro
de concreto

e enquanto canto no meu canto
observo em verde e sem dó
o que é cinza sumindo subindo indo no vaivém obsceno do vento


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