terça-feira, 16 de julho de 2013

pés ébrios

eu sentia que era cedo
mas agora se esses pés 
                 se esses pés afundados num molhado macio de uvas
antes mesmo do que eu
inebriados de giros, pisando vinhas, lambendo doçuras & balançando as ancas
                                                                            as ancas largas e férteis de pés

pés em ponta se arriscando cedo
antes mesmo do que eu
antes mesmo do de-manhãzinha sol e lua ainda juntos num instante estelar
pés em ponta se arriscando ao desequilíbrio do som, à gravidade do silêncio
ao vermelho tinto do vinho
ao imprevisível de um caminho sem volta

ah e eu 
        eu tonta só sentia que era cedo
mas agora 
       agora se esse hálito alcoolizado de pés impossíveis 
sussurrando segredos à grama orvalhada de suor
roçando brancuras de um corpo de pé nas rochas lisas da cachoeira

ah e eu
       o que eu posso se pés de tantos passos e pressa?
       o que eu posso se pés driblando bonito o tempo?

ah e eu um dia sentia que era cedo

mas quem?
       quem pode prever a hora exata dos pés?

.
       




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