domingo, 7 de julho de 2013

não me-khalo-me

e se de mim
eu me
    despregasse?
pregos
nas madeiras
de uma cruz?

então que a mim
         me encontraria
rosto sobre a folha
de outono
     em branco

e a mim me faria
reverência
mulher de linha
               orixá

abriria pernas
e com língua
curaria chagas
            de infância

e colheria cacos
nas lágrimas
      de yemanjá

ah se...
     e se a mim
me pudesse
cobriria o corpo
      das feridas
      chagas
      e me ouviria
              cantos & ais

então teus beijos
         curariam
mas não

teus compromissos
terrenos

então não
         esquece
tudo que desde aqui
                        pra cima
eu não
te livro

sou mulher
carne
corpo & intenção
          tesão
          terrena

diz o que tua língua pode
                    fazer por mim?

um
dois
três
quatro cigarros
não é brincadeira

esse poema
é um pedido:

me liberta
se a mim
você não pode amar

.

2 comentários:

  1. este poema está um grito de alma, que tantas vezes eu ja gritei, mas sem saber que poderia ser um poema...

    parabéns!parabéns!

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  2. ah obrigada! tá vendo todo mundo faz poesia qdo tá amando, claro q tem gente que ama o tempo todo então sempre faz poemas e outros que são profissionais... eu só desembestei a escrever depois que me encantei, pelo menos coisas de verdade q a gente le e sente q tem gente dentro...

    esse é um poema do dia da bebedeira, eu tinha escrito outros 2, mas por deus do céu uma voz soou em mim e eu acordei 7 horas da manhã pra apagar... hahaha... ai deveria ter bafômetro pra instalar no computador antes de usar internet, ne? rs

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