segunda-feira, 15 de julho de 2013

especulações sobre hospitalidade

O meu leitor é o meu hóspede, é aquele que vem e eu não sei quem ele é, mesmo que tenha planos sobre quem chamarei para a banca. Mas, depois desses primeiros leitores convidados, que fazem parte desse cenário de defesa, pode haver outros poucos que estarão dispostos a ler o texto. Estes que virão sem convite e sem aviso serão os verdadeiros visitantes, porque não esperados, mas aos quais preciso dizer “sim” e acolher para além da minha capacidade, pois possuem caráter messiânico. Aos hóspedes, devo minha hospitalidade que, aqui, se funda na preocupação com o que lhes dou a ler, ou seja, com um mínimo de informação, relação, lógica que produza significação e, também, algo de não significação – ou de pontos cegos, espaços vazios, incoerências – para que possam fazer e participar da leitura.

No entanto, hospitalidade e hostilidade estão inscritos na lógica da visitação. Entre hóspedes e anfitriões sempre haverá um espaço, uma margem para a hostilidade, neste caso para que o outro chegue como estrangeiro, e o eu o receba como eu na casa que é minha, onde se fala o meu idioma. E é nesse espaço da fala que me fala que eu posso dizer como digo e que já não depende de mim, mas também do outro, o esforço para me entender e se fazer entendido.

Porque, de certa forma, o hóspede é sempre hostil, ele prende quem o hospeda. Enquanto o hóspede está em minha casa, não posso deixá-la: torno-me prisioneiro, ainda que sua partida seja pressuposta, não sei quando ele a deixará. Assim, enquanto meu leitor estiver lendo a tese, eu, enquanto nome e autoria, preciso me manter no horizonte desse hóspede: não posso sair antes dele deixar a tese, porque minha assinatura já está lá antes dele.

[coisas que ando escrevendo na tese]

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