segunda-feira, 22 de julho de 2013

ei!

ei!
e o que eu faço com esse tanto todo de versos desabrigados que não têm mais pra onde ir?
o que é que eu faço para mantê-los aqui bem junto de mim se tão órfãos que choram estrofes inteiras e berram se debatem querendo pular nos teus olhos nadar nessas águas de céu e mar?
o que é que eu faço se tento contê-los mas eles nem aí de obedecer e se rebelam adolescências meodramáticas e então fazem greve de rima greve de metro greve da putaqueopariu do caralho a quatro?
se então os prendo nos meios por dentro dos seios debaixo do braço por baixo da língua colados nas tripas tapando buracos com todas as mãos nos ouvidos no nariz garganta dedo mindinho enfiado fundo no umbigo um nó de pernas apertando a buceta tensionando o cú esses versos tão meus antes tão teus principalmente os versos mais urgentes como esses de lágrimas por isso pedrinhas brilhantes trancando a passagem de ardências poéticas líricas e líquidas...
o que é que eu faço com esses versos que não se cabem aqui no de-dentro de mim? 
e vazam, me extravasam, escorrem e correm até teus pés bem logo aqui na esquina ao lado e pedem um carinho de dedos um desejo de ais um suspiro gostoso um sorriso de canto de boca um piscar de olhos um desdém de arrogância um sim seguido de não um tremor de arrepio na nuca um desconforto no apertado do jeans e um pouquinho de atenção só um pouquinho que muita é exagero...
pedem tão pouco esses versinhos poucos que abandonam meu corpo-casca e se perdem no caminho de portas fechadas e nunca mais que um dia encontrarão de novo o trajeto de casa... e eu aqui toda vazia disso de mim que pretende a poesia...
ei! me ensina, poeta!
preciso aprender como manter meus versos todos na caixa sob os cuidados do tempo e a proteção das naftalinas até o dia que as portas estejam de novo abertas para recebê-los bem muito mais que bem porque assim do jeitinho que merecem.

.

.

Nenhum comentário:

Postar um comentário