terça-feira, 16 de julho de 2013

borboletas

eu digo sim pra esse gosto de borboleta
sim, eu digo sim pro gosto gostoso de borboleta de asas azuis, de asas metálicas rangendo sonora os dentes da língua
sim sim, eu digo sim pro gosto agridoce da borboleta de asas translúcidas inteiramente desprovidas de lucidez e ensandecidas de castiçal e vela e o vento quente d'um cozido de gargantas
eu digo sim pras asas
eu digo sim pras asas dobradiças, asas membranosas, asas escamosas de várias cores e desvarios
                   pras asas todas que pairam sobre a pele dobrada de pétala plissada sua insustentável leveza de tonelada e tonalidades furta-cores e caras e bocas assanhadas de batom
eu digo sim pras asas que pousam suave e nem voam

e sugam sem pressa
              sem pressa nenhuma

assim

no tempo infinito do poema

completamente soltas

asas loucas

asas roucas

eu digo sim

eu grito sim
            porque o grito é o voo mais alto e estremece o céu

.

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