domingo, 2 de junho de 2013

queimada

a cana grita no eito
explosão de entrenós
trepida a plantação

entre irmãs
permanece
a serpente verde

dona do canavial

terror do cortador
                      de histórias

fincada no centro
arde queima arde
no ritual da palha

a serpente sobre si
serpenteia-se

troca de pele & papel

transformação

língua bífida
de fogo e água

e tudo é fumaça
quando nua
                 desliza longe sua verdura alongada & doce pelo chão ainda em brasa

a cana acamada

o tempo calado
respeitoso nem se venta

olhos

nenhum sinal de sangue
branco

no carreador


.

2 comentários:

  1. Odeio serpentes.longe.ate em palavras eu odeio.qualquer calor de uma queimada seria um desperdicio para uma serpente.a palavra doce tambem.ate anti corpos sao desperdicios.ate em sonho dormido eu abomino a palavra serpente.quem gosta que se deixe enlear peko veneno ou ekegancia.
    So eu sei como abomino e SO eu sei Porque.
    Ate conservada em gelo nos Polos sera arriscado.Contaminaria mares e Oceanos.Sem lugar oara mim.Abomino a palavra serpente ate neste poema.Mas faca-se a vontade da poesia ao coloca-la em relevo tao poetico.

    ResponderExcluir
  2. entendo...
    há imagens q nos maltratam mesmo e muito.
    tb tenho tenho as minhas. por isso posso imaginar seu corte.

    vi a serpente de fogo queimando fundo o asfalto e envenenando pra sempre minha vida&morte. e eu era essa serpente ou incorporei-a para sobreviver: phármakon.

    ResponderExcluir