domingo, 16 de junho de 2013

pernas



eu queria saber qual o peso
que tuas pernas sustentam

para sem macular ou ferir
a bagagem que já suportam
deitar sobre elas minha cabeça
e uma única vez apenas
esquecer-me no silêncio
pesado dos pesadelos

e então tuas mãos te deslizariam
dentro da noite dos meus cabelos
e teus lábios soprariam um Nome
renovado e bem dito só ao vento
justo ele à boca que o pronuncia
envolto em saliva sagrada e devir

e tu me tornarias então
a cabeça cheia de futuro
rebatizada e apadrinhada
na força das tuas pernas
no cuidado das tuas mãos
no imenso do teu coração
e na hospitalidade da tua
                                cabeça

eu queria saber qual o peso
que tuas pernas sustentam


.

7 comentários:

  1. O peso das pernas está na proporção directa ao peso deste poema.O peso do mundo nas nossas pernas que ainda assim, nos faz caminhar com leveza.Com a beleza destas palavras e na intensidade mais que intensa que elas terão suportado a quem as escreveu e a mim, que aqui as leio.

    "deitar sobre elas minha cabeça
    e uma única vez apenas
    esquecer-me no silêncio
    pesado dos pesadelos


    e então tuas mãos te deslizariam
    dentro da noite dos meus cabelos
    e teus lábios soprariam um Nome
    renovado e bem dito só ao vento
    justo ele à boca que o pronuncia
    envolto em saliva sagrada e devir


    e tu me tornarias então
    a cabeça cheia de futuro
    rebatizada e apadrinhada
    na força das tuas pernas
    no cuidado das tuas mãos
    no imenso do teu coração"

    retirei apenas alguns versos,ao poema;

    "para sem macular ou ferir
    a bagagem que já suportam
    e
    e na hospitalidade da tua
    Cabeça
    "
    entendo que quem caminha levemente, não pode sentir, nem pesos pesados passados, nem vaidade por ter Cabeça.a cabeça maior, mora no coração Geruza.

    Beijos!

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  2. não posso dizer nada...
    hoje vc me faz chorar.

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  3. Eu não gosto de sentir que faço alguem chorar, mesmo que seja de emoção.Eu também choro algumas vezes.Hoje por exemplo, estava numa festa e enquanto muitos riam e gargalhavam, eu desci ao andar de baixo para chorar.
    Sabe pq?
    De vaidade.Pode-se chorar por vaidade?
    Pode! Quando no burburinho do ruído, ouvimos sussurrar palavras bonitas a proposito de alguém com quem acordámos pela manhã no nosso pulso...

    mas eu não goste que chore, a não ser de felicidade.:)

    Beijinhos...

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  4. sim sim... podemos chorar por vaidade... podemos sim chorar por tudo quando nos sabemos pequenos e os sentimentos que nos tomam crescem e extravasam nossa medida...
    eu nunca choro perto das pessoas, tenho medo que sofram e então me escondo no tamanho grande que elas precisam que eu tenha... aí como vc fez hoje, quando estou só nos meus porões, me permito a pequenez que tão bem escondo... e choro por tudo que não me cabe, mas pousou em mim e em mim pulsa quando acordo, quando vou dormir e no intervalo entre esses momentos...

    não se preocupe com minhas lágrimas eu ainda tenho tanto pra chorar... mas saiba que hoje não me fez chorar de tristeza, nem de felicidade, apenas de verdade...
    :)))))

    beijinhos...

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  5. como eu queria ter essa certeza que voce tem, quando diz que chora de verdade.
    eu de verdade tambem choro esta noite.pela minha verdade também.mas sabe que eu não sei de que lado está a verdade, da minha verdade? não sei sequer se elas se olham, se se encontram. eu sinto que sim, mas não sei se não ou sim.entende-me?
    sabe que se eu soubesse de verdade que elas se encontram, eu de verdade seria capaz de sorrir sorrir até chorar de sorrir.e se de tanto sorrir, eu tivesse de deixar de sorrir, seria porque entre os sorrisos teriam acontecido as lágrimas da emoção, do tal encontro das verdades, que as lagrimas de hoje ha tanto tempo já esperam.

    que noite...nem lhe conto... voce ainda ia chorar por eu chorar também e voce ja tem as suas lagrimas de verdade.

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  6. entendo. :)
    também eu queria ter essa certeza que digo que tenho... tenho ficcionalizado essa verdade constantemente pra não morrer de mentira...
    mas, e acho que não conseguirei me fazer entender, eu não almejo a verdade material que sei que é intocável, sei pq basta um teste simples: quando se diz a verdade no tempo do dizer, ninguém acredita nela; quando se diz a verdade no dito de um passado, ela já virou história... a verdade é algo que só se chega perto, mas não se toca (isso aprendo com o resultado da minha busca)
    então quando falo da verdade é sempre sobre um sentimento da verdade, de algo que sinto atravessar-me e me emociona quando acontece e qdo eu não sinto me sinto doente...

    sei q isso é pq os traumas q vivi foram acebolados por camadas e camadas de mentiras, hoje tento retirar essas camadas e me encontrar com a verdade que fui obrigada a calar, mas sinto que ela já me é inacessível: foi tirada para sempre de mim, por mais que me aproxime não consigo senti-la... para sempre a verdade não me pertence como se eu não tivesse mais direito à ela... por isso tento colocá-la nos meus personagens e através deles revivê-la ao menos em parte...

    tudo o que diz é tão emocionante que me faz ler e reler...

    sempre que quiser me contar, estarei pronta a lhe ouvir, vc se surpreenderia com a minha capacidade de chorar e do bem que isso me faz...

    uma vez, dentro de um longo processo que não cabe dizer aqui, foi-me permitido - no plano espiritual - pedir algo e entre tudo que poderia desejar pra mim ou para os que amo pedi pra não perder a capacidade de chorar, pedi pra que meus olhos não secassem frente ao inenarrável...

    então chorar pra mim hoje é uma espécie de benção. :)

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  7. ah, eu tb tirei a letra maiúscula da cabeça... obrigada.

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