segunda-feira, 10 de junho de 2013

junho

Esta noite sonhei com Junho.
Ele vinha até mim, lindo, sem camisa... Em tudo, dentes&sorrisos... Me entregava presentes em embrulhos coloridos: dias, noites, festas, trabalhos, comemorações, gozos fugazes, sentires profundos... Também lápis, papel e infinitas linhas em branco, sobre as quais deitei enquanto me cobria de beijos e demorava-se em carícias pelo meu corpo... Sussurrava baixinho: “não tenha pressa, mas fique atenta: não temos pouco tempo, mas nosso tempo é exato”. E suas palavras, assim tão bem colocadas até o fundo de mim, me embriagavam... Aí me entregou uma garrafa. Pensei que beberíamos juntos, mas disse apenas: “guarda. é para o depois”. E adivinhando em mim a pergunta, respondeu: “são lágrimas”... Quase acordei, mas me firmei no sonho porque tinha certeza de que não era outro pesadelo. Levantei, peguei as roupas espalhadas pelo chão, passei a mão pelos cabelos, vesti-me toda de coragem e perguntei: “por quê?”

Então abri os olhos. E ouvi ecoando ainda dentro de mim: “Porque os olhos não foram feitos só pra ver”.


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7 comentários:

  1. Nao foram feitos apenas para ver,sim.Mas pq subestimar o papel principal deles ou ate no limite reduzi-los a sua funcao secundaria?
    Nao somos bons cumplices dos olhos e achamos
    sempre que sabemos ver.Sera?Porque?


    Um Junho bonito o seu.

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  2. tem um filósofo que eu gosto mto, na verdade amo, rs, eu me inspirei nele qdo escrevi isso, seu nome é Derrida...

    ele diz: "No fundo, no fundo do olho, este não seria destinado a ver mas a chorar", chorar é o que há de mais humano já que os animais não choram, pelo menos não como os homens, ele continua: "A essência do olho é o próprio do homem. Contrariamente ao que se crê saber, o melhor ponto de vista (…) é um ponto fonte e um ponto de água – vem a ser as lágrimas (...) A cegueira apocalíptica, a que revela a própria verdade dos olhos, seria o olhar velado de lágrimas"...

    o nome desse livro lindo de doer é: Memórias de Cego...

    porque a verdade mesmo, Ametrica, os olhos não são capazes de ver, ou pelo menos não é com ele que a gente a avista...

    o que acha?

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  3. sim para meu Junho bonito... Junho sempre me vem assim tão oferecido, depois do meu aniversário que é quando acaba meu inferno astral, tudo se renova, me sinto disposta, tenho vontade de brincar o são joão... ah e tem o frio que adoro... junho é bem no meio do ano, gosto dessas fronteiras, desses não lugares, portões, porteiras, muros, divisas... junho é um pouco isso pra mim: como se eu me equilibrasse numa linha entre o lá e o aqui, o já e o ainda...

    e eu também adoro palavras com a letra u... acho que são abismais... a gente escorrega e cai num buraco sem fim...

    se junho fosse uma pessoa, eu me apaixonaria... rs

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  4. Paixão, mesmo :) Interessante o seu comentário.Nunca me ocorreria pensar no denominador comum, que pode ser indicativo da razão pela qual ha palavras que gostamos mais, outras que gostamos menos, por exemplo a existência de uma letra comum a tais palavras...gostei da sua abordagem.Ha meses que são marcos, delimitam tempos, e relevam espaços.Verdade.Tambem tenho o meu.

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  5. ah não vale fazer suspense! qual é o seu mês? e sua letra favorita? :P

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  6. Não se trata de fazer suspense... neste momento, não lhe saberei contar qual o mês nem qual a letra.em poucas horas, o buliço da mente, desviou-se da cronologia, das palavras e do som.fixou-se no vazio, e procura um ponto de linha ou um nó que seja, para abandonar esta centrifugação mental.Quem sabe no proximo mês.Na próxima semana.Amanhã.Daqui a intantes.
    Neste instante, não sei .
    beijos!

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  7. nossa eu te compreendo tanto tanto... não é raro isso me acontecer... ufa... tenha um bom retorno para a ilusão das linhas coordenadas que comandam nosso pensamento...

    e fica tranquila: eu te espero, mesmo que seja o tempo do pra-sempre... :)

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