quinta-feira, 27 de junho de 2013

14.

o que é tudo isso a sua volta além de uma dor lancinante? você achou que isso ia ficar assim que iria mexer e tudo ia ficar normal e poderia fazer todas as coisa que sempre fez que não teria consequências que ainda teria as rédeas do seu pensamento você achou que isso poderia ser olhado tocado cheirado sem que você cegasse também sem que você rasgasse o peito sangrasse e então você pergunta onde isso tá? você sabe onde tá! você sabe que tá lá porque as coisas são as mesmas coisas! vai de uma vez então porra! vai lá olha na cara dele e pergunta  por que? ele sabe ele sabe ele sabe mas você não perguntou você não teve coragem porque sabe e eu não quero saber isso eu não quero saber!! quer saber porque senão você não tava fazendo essa merda toda mas eu não posso entenda que eu to escrevendo a tese eu teho prazo eu tenho de terminar a porra da tese eu não posso perder tempo com isso perder tempo??? caralho caralho era pra você tá morta agora era pra estar pelo menos internada ou babando colorido por aí!!! tem um monte de gente que baba e nem a metade! era pra você estar se drogando já pensou que legal depois de velha começar a se drogar e você pensa em não perder tempo? o que é o tempo mermã? você melhor que ninguém sabe que o tempo é um isso e pronto já foi! o tempo não espera ninguém não muito menos terminar tesinha tempo é tesão tempo é tesão do agora!!! e mais era pra você tá louca mermãzinha... aí olha agora você falou uma coisa que eu queria ouvir... como assim era pra eu tá louca? então você confirma isso? agora então você encara isso que era pra você estar louca?! diz diz que você assina isso que disse! diz! eu não to dizendo nada quem disse foi essa porra de papel que nem papel é é só uma luz branca disfarçada de papel de materialidade e a gente continua chamando de papel porque vai falar o que? sua besta por que você tá chorando a gente não tá falando nada de mais são só as palavras não tem nem imagem ainda? não tem sentido! esquece esse negocio de loucura pensa no papel o papel é que é maluco e a gente tem mesmo de falar papel por que vai falar computador monitor tela? então vai papel mesmo que é mais familiar e protege a impressão de que a gente vai depois dobrar em pedacinhos e guardar para sempre e a letra azul que não é azul vai borrar e a gente vai perceber no traço da escritura a emoção do escrevente e vai ter rabiscos e a margem vai ser invadida pela palavra que é grande demais e não dá pra cortar... mas agora não! não tem nada mais disso agora isso vai virar um arquivodoc que será museificado perdido e nunca mais acessado arquivo etéreo... é uma nuvem! não precisa ter medo não precisa ter medo não precisa ter tanto medo porque ninguém mais liga para o que tá escrito ninguém amais assina o que escreve é tudo eu-lírico sem registro sem reconhecer firma e carimbo isso aqui de texto de escritura de literatura é tudo terra de ninguém faroeste bangbang americano porque essa porra é papel sem papel azul sem azul carta sem carta café sem cafeína leite sem lactose acuçar sem glicose sexo sem orgasmo desejo sem possibilidade gente sem gente gente sem gente gente sem gente e a gente nem percebe como isso se dá quando vê já aconteceu um minuto tinha alguém e um segundo pluft depois um sopro um a e aquilo que era gente se vai se vai pra onde? eu queria EU DEVIA ter tapado a boa dele eu queria ter tapado a boca dele e impedido impedido o sopro eu amarrava a boca dele e ele ficava ali pra sempre sem falar nada guardando sua gente dentro da boca mordendo sua gente lembendo ela acomodando ela no colchão da bochecha a sua gente sua essência sua alma sua seilá o que que é a gente dentro da gente então eu tapava e ele escondia por debaixo da língua e depois ele podia levar a gente dele até lá em cima bem no alto do céu da boca e ficar entre as estrelas numa tempestade de saliva e eu o alimentaria com uma sonda eu enfiaria uma sonda bem no seu coração e o alimentava de orações eu rezava na boca da sonda eu rezava e a oração era bombeada até no dentro do peito dele e injetada no coração sim sim sim! aí isso alimentava ele sem precisar abrir a boca pra sua gente sair porque sim sim eu sei sei que a gente da gente precisa sair precisa de liberdade mas ele era tão novo tão jovem meu deus e ele ai meu deus ele ele não é N. ele é pára! chega agora! chega chega não agora eu não consigo! tá tá bom... mas eu tava pensando e você tava falando comigo então pensa pensa essa parada e se sua gente quisesse sair pelo canal do nariz? que é que ia adiantar tapar a boca dele? ou pelos ouvidos? jesus do céu então será que é por isso que as pessoas enchem o nariz dos mortos de algodão e também os ouvidos eu me lembro que quando era criança aquilo me impressionava muito eu também! eu também ficava impressionada nossa super! o morto lá sem poder respirar com um pacote de algodão no nariz e eu ficava com alegria alergia magina alegria porra eu nucna tinha pensado nisso mas se o cara já tá morto o que eles querem prender lá dentro? porque o sopro a gente dele já foi não tem mais o que prender mermã... o que você acha disso to certa? olha aqui o-lha-qui enxuga o rosto você tá um horror com essa cara de bola vermelha não precisa tanto coração... lembra que hoje você tá feliz lembra lembra que hoje o amor a poesia enamorada... aquieta nossa dor a gente só tá indo mais um pouquinho um pouquinho de cada vez. tá. tá mesmo? tá. oba então bora descansar mas vou ficar com isso na cabeça por que os caras metem algodão no nariz dos mortos se a gente deles já escapou? eles querem prender o que mais? tá eu tenho um palpite é meio besta mais é uma ideia que me atravessou agora...  eles enchem de algodão no nariz e nos ouvidos pra prender lá dentro a morte... é vai que a morte resolve escapar e dá espaço pra gente dele se arrepender e querer voltar... é... vai que.

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