segunda-feira, 20 de maio de 2013

uma fisgada no peito

foi só deitar a cabeça no travesseiro e sentir uma fisgada no peito... tipo peixe que nada à toa sem saber o perigo das bordas... doeu, puxa como doeu... como doeu plantar aquele ódio no teu peito... mas eu precisava sabe não é nada fácil pra mim dividir palavras que sei minhas... e você queria uma solução, uma solução que fosse química... tá, dei a você o que precisava para partir (de novo)... mas e agora como vão ser os dias sem a rotina dos teus horários? sem o coração assaltado a cada bilhete trazido pelo moleque da venda?... confesso que me deu vontade de chorar um pouco... reconfesso que chorei, não muito, só algumas lágrimas que não me perdoo esse desperdício... chorei o suficiente frente aos teus olhos que adivinho secos... mas queria mesmo era esgotar esse sal essa água essa vida funda... queria mesmo era o transbordar de amor... mas você nunca que me permitiu, sempre o dizer limitado na aurora, mesmo que a madrugada fosse plena de palavras doces & obcenas... sei da tua raiva e que não sabe lidar com ela, menos ainda sabe lidar com o imprevisto de minha existência plantada bem no centro do teu peito... é por isso que ele fisga... é amor essa estranheza que você veste de ódio... e agora mergulhado na cama você também se sente um peixe, um peixe grande assombrado por bordas... e também te doeu, te doeu minha dor... mas aproveitou a solução para partir (de novo)... e pensa como serão teus dias sem me ter aí pendurada na ponta dos teus dedos, feita de letras e espaçamentos, toda moldada ao teu gosto na dança incontrolável do diálogo... e talvez que isso te dê vontade de chorar... e talvez que uma lágrima molhe teu rosto e ela pergunte o quê? pois se uma pena que se desprendeu do travesseiro e então o colírio e os olhos dela colados no mais fundo dos teus procurando a pena e talvez que tenha de usar o anzol porque a vida de dentro dos olhos é tão absurdamente funda e dos teus que são verdes mais ainda e o risco de no lançar do anzol você pisca e é a isca pra que as lágrimas todas transbordem e junto com elas todas aquelas palavras obcenas & doces que dizíamos nas madrugadas até o limite da aurora e o mar e o mar e o mar inundando a cama molhada e ela que sabe nadar mas que tem medo de palavras tantas se segura nos pés da cama e você então abre abre os olhos abre os olhos poque já não consegue mais conter o tamanho de mim que te preenche então abre os olhos e deles eu saio e escorrego por teu corpo e me planto aos pés da cama ao lado dela plantada ela também e ficamos assim os três penetrados no mais absurdo silêncio sentindo aquelas fisgadas dolorosas no peito até o limite da aurora...

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