domingo, 12 de maio de 2013

palavras desnecessárias


por que eu haveria de me importar
com quem não sabe amar?

com o exímio ferreiro
de armas afiadas &
moldadas no único
             metal
que me é precioso
amigos
alunos
mestres
profissão
disciplina

derretendo tudo quanto
            me orgulho
            e fincando-me
a lâmina fria nas costas

nas costas que guardei
pra seus versos escritos

o ferreiro não me conhece
[ele mesmo o disse certa vez]
então como pode imaginar que tenho
recursos para comprar
a si ou a outros

e se tivesse
gostaria eu de possuí-los?

não quero nada que seja posse
tranca cadeado cofre portão
posse é escravidão

quero o vento
que despenteia meus cabelos
quero os afagos que costuram
os pedaços de minh’alma rota
                   fininha e suja
                   pano de chão
                   pisoteado pelos cascos dessa vida que me escolheu

dê-me uma única moeda
e farei dela cem
                  é verdade
quando a dívida é grande
aprende-se magia

mas isso não é sobre isso

o ferreiro atacou quem
estava tentando se reconstruir
justamente
com as palavras que
me curavam de dores 
nem um pouco levianas

não sei bem o que pensar
muito menos o que sentir
não sei porque ainda o procuro
nos labirintos do pensamento

um lugar dentro de mim
entende o ferreiro
um lugar dentro de mim
que sonha armas afiadas

mas por que eu haveria de sonhar
com quem não sabe me amar?


.

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