domingo, 12 de maio de 2013

dos começos


modelo o barro branco
esculpo a forma vazia
derrubo sobre ela
suor & lágrima

afundo meus dedos
nas formas enformo
durezas deslizo palmas
boca e planto duas asas
no centro da argilosa

            Ideia

não sou demi moore e
patrick swayze morreu
não sei quem sou só
quem deixei de ser
                    d'ele

dedico-me apenas
ao fazer desesperançado
e tedioso da distância
do resultado

construo um boneco
um frankenstein
um golem oco

que nunca poderá
       me ouvir 
nem me mostrar
o que sozinha
não posso ver

a cidade e a floresta
      [invisíveis]
envoltas em brumas

sopro sopro sopro
3 vezes 3 vezes
fórmula alquímica
que dá alma à lama

mas adão é só um nome
sulcado fundo na testa
não responde por nada
nem à ninguém

novamente a solidão
de nunca mais me mostrar
para além dessa espessa
casca 
cobiçada
porque tecida no nada

do barro só nasce
o barro

deus mente os intelectuais
mentem os poetas

não dizem a verdade



.

Nenhum comentário:

Postar um comentário