quarta-feira, 22 de maio de 2013

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quando ela duvidava da realidade, juntava a ponta dos dedos, todos os cinco, e os enfiava entre as pernas e, não exatamente com pressa, mas com precisão, os introduzia na vagina, até o fundo, e, uma vez acomodados àquele espaço de carne e calor, ela os abria e fechava ao modo do desabrochar de uma flor... quem a visse não entenderia que não buscava prazer, longe disso, buscava algo muito anterior e fundamental para sua sobrevivência: o real que, fino e frágil, dia a dia lhe escapava pelos dedos, sem que pudesse contê-lo... então, bem lentamente, retirava-os de lá, agora molhados, e ficava observando o líquido viscoso e transparente no qual se lambuzavam por alongados minutos antes de trazê-los até o nariz e, depois de aspirar seu cheiro bem fundo, levar, um a um, os dedos à boca, sugando-os com fé e fervor...


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