quarta-feira, 29 de maio de 2013

ainda sobre pitangas

Naquela manhã, depois do amor e de volta à amizade, eu reparei como você é grande. Na despedida, as folhas da pitangueira roçavam seus cabelos enquanto desvencilhava-se dos galhos e beijava carinhosamente meu rosto. E por um momento pensei em como, quase sem esforço, você poderia alcançar as pitangas mais bonitas, aquelas impossíveis à minha altura. Bastaria que levantasse os braços, talvez nem precisasse mesmo esticá-los muito, e teria em suas mãos aquilo que mais quero. O que me faz sal & saliva.

Mas meus lábios continuaram mudos e secos, o pedido não pronunciado parado na garganta. Porque, enquanto partia, outro pensamento me tomava: de que adianta poder alcançar pitangas quando se é incapaz de vê-las?


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