domingo, 19 de maio de 2013

a hora da paixão

ocorreu-me tropeçar agora numa lembrança, dessas de arrancar um sorriso de canto na boca da gente, lembrei-me a primeira vez que tocou meus seios, assim por cima da camisa xadrez... estávamos na fazenda, lembra? perto do estábulo... meu pai tava longe... então você colocou a mão em forma de concha no meu seio direito e ficou ali, parado, sem saber o que fazer com aquilo, com tudo aquilo é claro, porque eu já era bem mais formada do que você, todo magrelo e espantalhoso... e eu fiquei bem séria pra não dar pinta de que queria rir da sua cara... então abri um botão, não, foram dois botões e você lá só brincando de estátua com a mão colada por cima da blusa... eu peguei sua mão e enfiei naquele vão estreito e pressionei toda tua indecisão bem forte sobre minha urgência adolescente... eu te encarava nos olhos mas lembro muito bem que nessa hora você fechou os teus... aí fui te ensinando como devia fazer passeando devagarinho tua mão por todo ele, empinado na dureza dos quatorze-quinze... a verdade é que você era um péssimo aluno, todo desengonçado, medroso... mas eu ainda iria me esforçar bastante dali pra frente e você iria aprender tudinho e bem direitinho... porque acho que as mulheres já nasceram sabendo essas coisas, não sei, talvez eu já tenha nascido assim, ou tenha aprendido bem cedo... mas aí meu pai gritou chamando e você quase arrancou meu mamilo... ai que ódio!, eu te belisquei bem forte pra você ver como tinha doído... então a gente não teve mais oportunidade naquele dia, mas ficava se olhando bem cúmplice a tarde toda... quando anoiteceu entramos no carro, nós dois no banco de trás e meus pais na frente... no meio do caminho você olhou pra mim de um jeito diferente, eu nunca tinha visto você com aquela cara antes, e falou baixinho no meu ouvido "você é macia que nem uma fruta madura, deu vontade de comer"... caralho, foi nessa hora que eu me apaixonei.


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