segunda-feira, 29 de abril de 2013

sem título


no começo, digo, no começo do fim, eu achei que a gente daria um jeito, porque sou de um tempo, ou de uma raça de mulheres, que ainda leva o sapato no sapateiro, o vestido na costureira, pra consertar ao invés de substituir... e eu disse pra ele que a gente podia continuar... tentando... na verdade o que eu disse pra ele foi: “eu quero continuar te amando”... não, lembro que eu disse exatamente assim: “eu quero MUITO continuar te amando”... ele demorou uns dias pra voltar ao assunto: “você não vê o que tá acontecendo? se quer me amar é porque já não me ama mais, porque a gente só ama quando não quer amar”... eu não tinha argumento... de qualquer forma, não tinha palavras, elas tinham secado e parecia que pra sempre... então acabou... isso faz bastante tempo e eu nunca entendi o que na hora me pareceu só um jogo retórico, clichê de separação...  "a gente só ama quando não quer amar"... não fazia sentido... até hoje quando, vindo pro interior, na estrada, ouvindo uma música, fui atravessada de um medo, não, de um pavor e de um desejo, maior do que o mundo, de não sentir mais isso que estou sentindo... aí eu rezei e pedi pra acabar... estou esperando acontecer.


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