segunda-feira, 1 de abril de 2013

nilo azul & branco



tira tuas botas cansadas de lama
deita sobre as minhas tuas águas azuis
e repousa caudaloso teu corpo manchado de expedições

eu nunca terei o teu tamanho
mas veja: posso contê-lo entre minhas pernas
até que transborde as margens

então deixa
deixa que as lutas se depositem no leito
deixa que lavo teu sangue com o meu

descansa

descansa porque as pontes que nos atravessam
não levam a lugar algum
descansa porque as barragens são frágeis demais
à tua investida de Nilo

e ouça
ouça o som suave do meu desejo
de âncora

e permaneça todo
         submerso
no meu corpo d’água

        devotos
        fundidos
        serenos

os rios não têm tempo.


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