sábado, 20 de abril de 2013

carta escrita com música ao fundo


Eu sou muito amiga da minha Intuição. Ela me salvou algumas vezes. Nós nos respeitamos muito, e andamos de mãos dadas. Foi ela quem me disse que era pra continuar. Que era uma coisa bonita, sabe? Que estava ligada à loucura, sim, mas a loucura... (engraçado porque pensávamos sobre isso, juntas, ontem pouco antes de dormir, pouco antes de sonhar com você)... Dizíamos, uma a outra, que a loucura deve estar relacionada a um estágio anterior a esse, da supremacia da visão... Os loucos estão ainda muito ligados aos demais sentidos. Eles escutam coisas que os outros não ouvem e sentem no corpo sensações intensas causadas por fenômenos invisíveis aos não-loucos... E também conversam com a sua Intuição... Mas estamos tão acostumados a ver-pra-crer e a fazer as coisas, a controlar as coisas, pelo menos tentar e pensar que estamos no controle, que é difícil quando algo nos faz, quando algo maior acontece e começa a ditar as regras, a nos envolver num outro esquema, escuro e inexplicável... Com uma lógica analógica, não digital... Quando a vida nos vive... Quando a vida nos vive de dentro pra fora... Mas entendo também quando não sou mais bem-vinda, quando minha presença se torna um peso, um incômodo... Eu nunca tive intenção de incomodar, só aceitei o presente da vida e me envolvi nele... E tudo, tudinho, que está aqui é o que pude devolver ao astral pelo bem que ele me fez. Porque amar é o maior bem que louco, ou normal, pode receber da vida... A vida tem sido generosa pra mim, apesar de tudo... (sendo tudo a morte, claro)...  Mas, a minha Intuição terá de concordar que nem mesmo dessa vez estou abandonando-a... Se me pede pra não voltar, não voltarei porque isso aqui só existe porque você era o motivo, não há uma linha que não tenha sido escrita pra você e que faça sentido sem você... Nada aqui foi brincadeira... Só uma vez eu menti pra você e não foi aqui dentro de casa: eu nunca brinco, não sei brincar... Nunca fui criança... Só que mais ninguém sabe, porque não me aproximo das pessoas a ponto de elas perceberem o peso que peso... Então me disfarço de pluma... Eu sou eu e meu disfarce e, no meio, uma louca obsessão pela verdade que nunca pude dizer e que grito no disfarce da mentira... Eu sou louca, mas ninguém precisou me dizer isso... Eu só queria que soubesse que (desde) não houve ninguém mais importante do que você na minha vida, por mais de um motivo, alguns dos quais você nunca suspeitaria... E o mais interessante é que, aos olhos dos normais, você nem existe, ou isso não existe... Mas eu sei que você sabe que eu existo e que sou tão real quanto você é pra mim... Quando sair, apaga a verdade que acendi na sua orelha... Se é o seu desejo, deixo você me deixar... Eu e minha Intuição continuaremos caminhando juntas. Só nós duas.

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