quarta-feira, 24 de abril de 2013

A verdadeira história de Frida Kahlo & Diego Rivera



A verdade é que Frida se apaixonou primeiro pela sua pintura, Diego veio depois, o que não hierarquiza nada porque a obra é a expressão de uma realidade interna tão real quanto à externa. E sujeita aos mesmos estímulos, porém, selecionados e potencializados. Mas Frida via as fotos de Diego espalhadas por aí: não era o homem mais bonito do mundo, mas para ela era. E, nesse assim, de mais bonito se tornou o único. Não se sabe como, nem porque, pode-se dizer apenas que é um desses mistérios que o universo insiste em manter misterioso, apesar das descobertas da NAsa e dos nazistas. Eles se comunicavam telepaticamente, mas isso eu não sei explicar então pula essa parte. Frida queria se encontrar com Diego, mas essa parte também é muito brumosa e deve ser pulada pra não atrapalhar A verdadeira história de Frida Kahlo & Diego Rivera.

O próximo capítulo foi ontem, em 1959, quando Frida, não se sabe como, encontrou uma fita de DVD antiga, na qual Diego dava uma entrevista sobre a revolução sexual causada por sua peça, a qual demorou praticamente quatro anos para ser pintada. Francamente, não entendo como isso não ocorreu antes porque Frida sempre mexia naquela arca que guardava todas as coisas relacionadas a Diego. Mas, quis o destino que fosse assim, quando ela estava decidida que Nunca Mais, apesar de sentir a parte amputada formigando todas as manhãs junto com aquela dor no peito, causada pelo nome alado com desejo de sair voando pela boca e levando-a consigo. Essas sensações foram pintadas por ela numa aquarela, intitulada Sem Título, que não chegou a público, pois a família a mantém escondida a fim de capitalizá-la.

Mas, voltando à véspera de agora, quando ela viu-se diante da possibilidade de ver o seu amado se mexendo e falando pela primeira vez, entrou num estado de magia que durou o dia todo. Inventou todas as coisas que sabia fazer para adiar aquele momento. Tomou várias vezes café e até um copo de água, coisa que ela sempre se esquecia. Chupou manga e cozinhou shitaki na manteiga. Foi ao banco só para tirar o saldo da conta. Usou o caixa eletrônico. Pintou. Pintou. Pintou. Ficou sentada na sala, sorrindo. Fumou. Viu um episódio de CSI das antigas, filmado em 1957. Aí saiu para um compromisso, mas voltou logo depois das fotos que registrariam o evento para a posteridade. Em algum momento do dia tomou banho e escovou os dentes, claro, embora seja difícil de especificar.

Voltou pra casa e se preparou para encontrá-lo. Acendeu um incenso e velinhas perfumadas. Teve de abrir a janela e deixar entrar a poluição porque o ambiente ficou muito esfumaçado. Cigarros mentolados. Então ela apertou o play e ficou cara a cara com a ele e sua voz e seus gestos. Por longos vinte minutos. Eu não saberia dizer o que ela sentiu porque não há palavras. Nem tintas. Mas uma ternura arrebatadora somou-se ao desejo que já sentia. Enfim, ele era. Teve a certeza de que se, não estivesse apaixonada, teria se apaixonado. Já eu, que conheço toda a história, soube que ela estava amando. E perdida, pra sempre.


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