quinta-feira, 18 de abril de 2013

a maldição do Jim

aí o garçom saiu e um velho xamã sentou do meu lado, com uma cobra enrolada no pescoço, baforando fumaça alucinógena na minha cara: ‘é a maldição do Jim’... eu tava muito doidona pra entender e ele continuou: ‘é por causa do Jim que nevermore’... aí tudo ficou confuso e com efeito de distorção: ‘tira da parede do quarto aquele pôster que você comprou na Fnac!’... Jim, Fnac, pôster, parecia tudo parte do transe: ‘co... co-mo assim, o Jim? nã.. não posso... o Jim nãoooo!’... perdendo a paciência xamânica: ‘deixa de ser besta minha filha! ou você não vê que os caras ficam intimidados com ele lá? ainda mais daquele tamanho!.. se fosse num porta-retrato 8x10... 10x12 no máximo... mas aquela porra tem 2 metros!... e aquele né-jim? toda hora incluindo o cara na conversa... como você acha que eles se sentem? ainda se pelo menos você apagasse a luz, criatura!’... eu só chorava em cima do copo: ‘minha filha, engole! engole esse choro: tira o Jim e mete lá uma foto de paisagem! ou um calendário!’... ainda tentei argumentar: ‘m... mas... seu xamã... o Jim é de pa... papel’... foi aí que um raio despencou do céu e a terra tremeu sob meus pés: ‘ah cabeçuda... e você não sabe que todo mundo sabe que o papel é a única coisa de verdade na sua vida’... aí o velho desapareceu na fumaça e a vitrola começou a tocar uma canção antiga...
The End.

né Jim?


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