quarta-feira, 6 de março de 2013

toc toc toc


Eu estava sentada sob a árvore mágica quando essa história caiu ainda bem verde em minhas mãos espalmadas. Não me lembro se o livro que lia era aquele já gasto pela leitura ou se o outro da nova velha história. Porque o brilho dessa história-menina me cegou para todo o resto: personagens vãs, peças vãs e autores vãos. Estava muito confortável na cadeira de balanço, a sombra era parceira contra o sol e as pitangas estavam bem à mão. 

Mas não hesitei em abandonar tudo e seguir as instruções deixadas por um druida perdido no tempo: “segue pela trilha das pedras e bate o ferrolho três vezes em cada porta, segue por cinco nãos, (não conte os nãos lançados a ti na zona mística: esqueça-os!) o último será um SIM, aí você entra”.

Passei por quatro luas, machuquei pés e mãos, cabelos e unhas cresceram, aprendi, vivi e senti. É verdade que remocei, porque a trilha é de chuva. E, desde lá, agora estou aqui. Frente à última porta. Nas cinco casas recebi o profético não, os últimos três em três casas vizinhas como previu o druida. Essa é a casa do SIM e estou batendo três vezes com o ferrolho na porta. Meu corpo protege minha crença. Tudo em mim é expectativa. SIM, SIM, SIM, grita meu coração pra dentro.

Êxito? Não hesito: se não houver um SIM, volto pra a sombra, pra cadeira e pro vão, comerei pitangas porque são vermelhas, tudo parecerá igual, mas será outra coisa. Porque terei morrido e, depois de um tempo, deixado de acreditar em contos de fadas.


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