sábado, 23 de março de 2013

serpente verde



e uma vez na minha cama
vou me derramar samambaia
sobre teu corpo de carne

l e v e
         s u a v e
                      v e r t i c a l

me enroscar nas tuas pernas
enrolar teu pescoço branco
braços mãos & dedos
                inclusive dos pés
[está sentindo?]

vou trepar todo teu tamanho
sugar teu cio
lamber com mil línguas
teu gosto de gente

e vai me chamar
serpente verde
alucinógena
trepadeira
assanhada
indecente

e depois uma palavra inventada e
gos-to-sa só pra mim única nunca dita
uma palavra feita de som e pólen
sêmen

samsara

e depois ainda
enlouquecido
vai farejar beijo-flor
carnívora
perigosa
dentada
cercada
de nãos
porque é meu jeito de dizer sim

[e não vai ser fácil
porque as samambaias aprenderam a entregar tudo
menos a si mesmas]

mas isso vai acender teu desejo
e minha cama vai pegar fogo no teu
viscoso, salivoso de maçãs
e mucilagem

tua boca toda ela
habitando segredos
comendo meu corpo de nêspera
cavando o verso-grito branco e livre

e se deixar a janela aberta
todos no prédio vão ouvir
que sou tua
porque se plantou em mim
carne e palavra viva

e para sempre as samambaias
terão outro nome pra você:


.

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