quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

serpente



cega

a serpente só vê com o sentido
com o tato alongado de seu corpo
sempre no limite das coisas
incapaz de sumir-se de si

então que aborrecida do seu gosto de serpente
enrosca-se toda à cabeça e em infinitas espirais
cola-se aos olhos do poeta –
do seu Poeta –
pra ver a cidade as ruas as luzes os jardins os prédios os becos os cigarros e o mar

mesa farta de formas contornos geometrias e modelos que abocanha carnívora
para depois deslizar ao solo,
subterrânea,
escondida entre folhagens,
enlouquecida presa de seu próprio alimento,
entorpecida de tanto veneno,

a serpente sonha estrelas

 
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