terça-feira, 5 de setembro de 2017

colete salva vidas

e por causa de todos
de todos aqueles botes
e coletes luminosos
aos poucos
bem aos pouquinhos
fui esquecendo meus
tubarões

três vezes trezentos
mil dentes serrilhados
enterrados na barrriga
de uma estrela perdida
perdida do mar

barbatanas e belezas
azuis camuflando a
força de dois prédios
desabando o outro
sobre um

mas a memória
a memória amnésica
dissipada no laranja
inflável e nas luzes
e tochas acesas
numa intuição feliz
de margens

tudo parecia seguro
segura demais

a gente fica meio besta
quando está apaixo-

nado


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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

segunda-feira, 10 de julho de 2017

colecionadores

ele era colecionador. amador, colecionava lingeries. toda vez que trepava a mina, dava um jeito de levar a calcinha. às vezes pedia, outras forçava. quando não conseguia, comia de novo. até conseguir. a maioria, porém, dava de prima. parecia bonitinho isso de souvenier. aí colavam no celular. ele descolava. elas acabavam. no preju. total. a calcinha varia de 30 a 60 pilas. já a foda, dependendo da foda, não tem preço.

bom, ele sumia porque namorava. da namorada não colecionava nada. só metia. demorado e gostoso. todo dia. quase todo dia. às vezes ele catava outra. mas só quando adivinhava a calcinha entalada no rego daquela legg branca. ou cinza. da namorada, arrancava no dente. a calcinha cor de pele. sem renda. sem mimimi. beginha. arrancava no dente e metia a língua fundo na vereda de carne vermelha entre os pelos. 

um dia ela descobriu. tava ali no case da raquete. contou. uma a uma. 39 calcinhas: 12 vermelhas, 15 pretas, 9 brancas. o resto, cores variadas. tom sobre tom. todas calcinhas de dar. cheias dos mimimis. fio dental ainda com cheiro de bunda. manchinha de cola transparente no fundilho. ela ficou triste. era o que se esperava. comportamento molar. com choro e tudo. ele, evasivo. depois, explicativo. talvez da mãe. ou da empregada. quem sabe.

ela, tudo bem. molecular. tinha suas próprias microrrevoluções. às vezes se imaginava com aquelas calcinhas. e ele chamando-a. letícia, luana, natalia. gostava de nomes em éle. pareciam ser bons de bater. ou apanhar. tudo bem. ou quase. diminuía a culpa. a dela. cadela. colecionadora. ela também.

colecionava pintos. tinha-os aos montes. com aquela cara de bochechas. risonha. alegre. ninguém diria que. 63. número recorde pra uma coleção tão recente. grande. pequeno. fino. com cabeça de cogumelo. trabalhado na fimose. circuncidado. duro. mole. meia bomba. nunca dava sem levar. e dava muito. tinha uns até bem básicos. mas gostava mesmo é de pintos excêntricos. estereotipados. pra coleção. coisa rara. pra conseguir um pinto-pequeno-japonês teve de experimentar 15. 14 não cumpriam com o que se dizia. de boca pequena. morria de tesão. na coleção. e a coleção crescia. teve até de dividir a estante. uma parte pros livros. na outra, os pintos. um por um. como soldados. eretos e enfileirados.

é claro que não arrancava os pintos dos caras. levava-os embalado na memória. ora, tava pensando o quê? isso aqui é literatura contemporânea. não tem nada de fantástico. ou efeitos de sentido. coleção de lingerie é coleção de lingerie. coleção de pinto é coleção de pinto. pronto. só que pinto a gente leva pra casa é na cabeça. não é coisa simples. precisa de muito contato. precisa é trato. pra conseguir levar um pinto na lembrança. e ela, a colecionadora, levava. ah e como levava. aqueles pintos todos. ali à disposição de um piscar de olhos. 

o bom é que ele nunca encontraria a coleção. muito muito bom. bom pra ele que não precisaria ter um comportamento molar e quebrar a cara dela. e pra ela. que poderia continuar vestindo o pinto dele com aqueles pintos que trazia de outras fodas. e ele nem suporia quando ela

ai ai mete mete fundo fundo um pinto todo duro e tamanhudo entrando ali no molhado. bem no lugar do seu. digo, do dele. ou

nossa que caralho é esse meu deus e uau era aquele todo lustroso e negro. grande demais da conta. ou

hum ai glub argh nooooossa engasgado ali um pinto pedra polida. joia rara. tão diferente do seu. do dele, quero dizer. 

talvez se ele olhasse pra baixo enquanto ela gozava e gemia e apertava a raiz do pau entre os dedos enquanto ele metia fundo estocava duas três sete vezes gostoso

nossa. se ele nessa hora.

ai safado. se ele olhasse pro pau talvez se tocasse que. mas não. não. não dava porque nessa hora ele tava é olhando por cima dos ombros dela. ali na fenda do armário toda sua coleção de lingerie. e ele suspirava gemia gostoso

putinha. ai bucetinha apertada. mexe a bunda cadela. punhetando as calcinhas na imaginação. 39. 12 vermelhas, 15 pretas, 9 brancas. o resto, cores variadas. tom sobre tom. e metia fundo. ela, toda melada metida naqueles pintos todos. 63. número recorde pra uma coleção tão recente. um por vez. às vezes dois. no lugar do dele. nunca olhava pra cima. nem sabia que os olhos dele lá. perdidos no armário.

nossa. mais fundo mais fundo que eu vou gozar. os olhos fincados no pinto que não era dele. então gozavam. grosso e gostoso. exaustos. felizes. nunca se comeram. eram colecionadores. talvez um dia quando ele lhe roubasse a calcinha. e ela levasse o pinto dele pra casa. e que bela foda seria. com os dois assim

tão distantes.



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